Famílias de vítimas de acidentes no trânsito relatam anos de espera por justiça em Sorocaba: 'Uma vida não tem valor'
Famílias de vítimas de acidente de trânsito falam sobre espera por resposta da Justiça Para famílias de vítimas de acidentes de trânsito na região de So...
Famílias de vítimas de acidente de trânsito falam sobre espera por resposta da Justiça Para famílias de vítimas de acidentes de trânsito na região de Sorocaba (SP), a dor do luto é acompanhada por uma longa e angustiante espera por justiça. Com processos que podem se arrastar por mais de uma década, a sensação de impunidade cresce enquanto os responsáveis pelos acidentes recorrem em liberdade. Especialistas apontam a burocracia do sistema penal e a dificuldade de provar a intenção de matar como principais causas da demora. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Enquanto o sistema judiciário procura por soluções para lidar com as burocracias que envolvem um processo, como julgamentos e punições, as famílias das vítimas convivem com a sensação de abandono. 'Uma vida não tem valor' Ozério ficou viúvo após esposa morrer em um acidente de carro na Castellinho em Sorocaba (SP) Reprodução / TV TEM Ozério Tadeu Pereira ficou viúvo quando a esposa, Adriane Gallão, morreu em um acidente na rodovia Senador José Hermínio de Moraes, em Sorocaba (SP), em 2022. Ele conta que a dor da saudade ocupa um espaço diário em sua vida. "Muito difícil passar o que a gente passou, a sensação de que você está com uma pessoa há 26 anos e de repente chega a notícia de um acidente e essa pessoa não está mais na sua vida. [...] A gente busca a todo tempo se confortar e ser forte", desabafa. LEIA TAMBÉM: GÁS TÓXICO: Batida entre guincho e caminhão-tanque carregado com amônia interdita totalmente rodovia de Itu VEJA O VÍDEO: caminhão carregado com materiais de construção tomba após derrapar em ladeira no interior de SP BEBEU POR SEIS HORAS: Motorista bêbado atropela e mata criança de dez anos em Sorocaba O motorista que atingiu o veículo em que Adriane estava responde pelo crime de homicídio com dolo eventual, por ter assumido a possibilidade de matar ao dirigir bêbado e em alta velocidade. No entanto, ele responde em liberdade e o julgamento ainda não possui data para acontecer no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ozério acompanha as atualizações do caso, mas lamenta a demora. "É uma certa sensação de impunidade, de que uma vida não tem valor", diz. Initial plugin text Por que a justiça demora? Fábio Aguilera é o advogado da família de André Arantes, morto aos 22 anos em um acidente de trânsito em Sorocaba em 2010. O motorista que causou o acidente, Enrico Augusto Dela Dea, teve a prisão determinada apenas 14 anos depois do ocorrido. Famílias de vítimas de acidentes de trânsito lidam também com a impunidade dos motoristas Reprodução / TV TEM O advogado explica que essa demora no julgamento é resultado de um comportamento burocrático do sistema penal brasileiro. "Prevalece no Brasil o entendimento de que o acusado, mesmo condenado, só pode ser preso após o esgotamento de todos os recursos, e é por isso que ele não foi preso [...] O entendimento majoritário é de que basta suspender a CNH do sujeito, que ele deixa de ser um risco imediato para a sociedade", explica. Maurício Stegemann Dieter, professor doutor de direito penal da Universidade de São Paulo (USP), destaca também que a tipificação dos crimes pode dificultar no julgamento dos acusados. Para ele, caracterizar essas mortes no trânsito como homicídio doloso, isto é, quando há a intenção de matar, pode ser um risco para os crimes levados a júri popular. "Vai ser muito difícil, senão impossível, demonstrar perante um corpo de jurados que a pessoa tinha essa vontade específica que caracteriza o homicídio doloso", explica o professor. Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM